Câmara de Parauapebas é comparada a “Casa da Mãe Joana” na Gestão Anderson Moratório, Dizem Vereadores e Servidores

A gestão do presidente Anderson Moratório à frente da Câmara Municipal de Parauapebas tem sido alvo de uma série de críticas ao longo dos últimos 11 meses. Reclamações feitas por vereadores, servidores, prestadores de serviço e frequentadores da Casa apontam desde problemas estruturais até questionamentos sobre decisões administrativas e o funcionamento do Legislativo.

Estrutura deteriorada e manutenção lenta

Entre os principais pontos citados por servidores está a má condição das instalações. O piso do prédio, que segundo relatos estava rasgado e desgastado, teria demorado quase 10 meses para ser substituído. Em outro episódio, bebedouros quebrados foram registrados durante uma sessão itinerante da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), o que gerou críticas sobre a falta de preparação para receber eventos oficiais.

Investimento em segurança causa estranhamento

Ao mesmo tempo em que a infraestrutura básica apresenta problemas, a gestão investiu de forma considerada “robusta” em segurança. Foram instalados detectores de metais em todas as entradas e adotado um sistema de cadastro fotográfico obrigatório para acesso aos gabinetes e setores internos.

As medidas, embora apresentadas como forma de controle e proteção, geraram reações da população. Frequentadores questionam se a Câmara continua sendo “a casa do povo”, como determina a essência do Poder Legislativo.
“Quando precisam de voto, vão até a casa da gente. Mas para entrar na Câmara, parece que a desconfiança é com o próprio povo”, comentou um cidadão que tentou acessar o prédio.

Vereadores reclamam de condução dos trabalhos

Entre os parlamentares, as críticas vão desde a falta de manutenção da Casa até apontamentos de que o presidente, por diversas vezes, não estaria seguindo o Regimento Interno. O tema chegou a gerar uma representação judicial apresentada pela vereadora Érica Ribeiro, que questiona decisões administrativas e regimentais da mesa diretora.

Atrasos de pagamentos e queixas de servidores

Prestadores de serviços também relatam atrasos de pagamentos, enquanto servidores afirmam que a gestão “tem deixado a desejar” em pontos internos da administração. Ao mesmo tempo, críticas são direcionadas aos gastos da Casa com viagens e diárias de vereadores, enquanto problemas básicos de infraestrutura permanecem sem solução.

Esvaziamento das sessões e desgaste com a população

Um reflexo desse desgaste é o esvaziamento das sessões, que têm recebido cada vez menos público. Para moradores, a Câmara deixou de representar um espaço aberto de participação, reforçando a percepção de distanciamento entre o Legislativo e a comunidade.

Vexame após decisão do STF intensifica clima negativo

A situação se agravou após a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em que o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a CPI da Mineração instaurada pela Câmara. O Supremo entendeu que a comissão havia extrapolado suas atribuições ao investigar assuntos de competência federal — fato que, segundo críticos, expôs o Legislativo local a um “vexame nacional”.

Comparação com ‘Casa da Mãe Joana’

Diante desse cenário, alguns servidores, vereadores e cidadãos passaram a comparar a atual fase da Câmara a uma verdadeira “casa da mãe Joana”, expressão popular usada para indicar desorganização e falta de comando. A comparação tem circulado em bastidores políticos e grupos de discussão na cidade, reforçando o clima de instabilidade.

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