Há quase sete meses, o então secretário de Saúde de Parauapebas, Dr. Marcos Vinícius, utilizou suas redes sociais para anunciar sua saída da pasta, após apenas seis meses no comando da secretaria.
À época, o médico alegou questões pessoais e a necessidade de dedicar mais tempo à família, afirmando que continuaria colaborando como “parceiro da saúde municipal”. A justificativa, no entanto, parece ter vencido mais rápido que a gestão-tampão.
Passado algum tempo do anúncio, Dr. Marcos Vinícius voltou a aparecer com frequência não em unidades de saúde, mas em fotos políticas, ao lado do vice-prefeito, do deputado federal Joaquim Passarinho e de figuras centrais do governo Aurélio Goiano.
Segundo informações que circulam nos bastidores, o ex-secretário já seria o nome escolhido pelo grupo do prefeito para disputar uma vaga de deputado federal, levantando ironias inevitáveis: faltou tempo para a secretaria, mas sobrou disposição para o palanque.
Durante a campanha eleitoral, o médico foi apresentado como o grande símbolo da saúde, a aposta técnica que colocaria ordem na casa. O discurso empolgou, ajudou a eleger, mas a prática ficou pelo caminho.
Menos de seis meses depois, a “grande promessa” deixou o cargo sem entregar mudanças estruturais e sem conseguir segurar a pasta que ajudou a eleger o governo. Para muitos, o período foi curto demais até para diagnóstico quanto mais para solução.
Agora, o mesmo governo que dizia priorizar técnicos e resultados parece reaproveitar a imagem do ex-secretário como ativo eleitoral, numa clara tentativa de fazer legenda e garantir espaço político fora do município.
Críticos apontam que o roteiro é velho conhecido:
usa-se o cargo como vitrine, abandona-se a função e transforma-se a promessa em candidato.
Uma campanha que já nasce questionada
Nas redes sociais e nos bastidores, a pergunta é direta e ecoa com força: se não conseguiu permanecer seis meses à frente da Saúde, como promete representar Parauapebas em Brasília?
Para parte da população, a pré-campanha já começa desgastada, marcada por articulações políticas e marketing, a saúde agora sem o ex secretário que foi vendido como solução.



