Rússia suspende exportação de fertilizante e pressiona custos do agro brasileiro

A decisão do governo da Rússia de interromper, de forma temporária, a exportação de nitrato de amônio acendeu um alerta no setor agrícola brasileiro. O anúncio foi feito nesta terça-feira (24) pelo Ministério da Agricultura russo e terá validade inicial de um mês.

O nitrato de amônio é um dos principais fertilizantes utilizados no Brasil, especialmente em culturas de larga escala. Com a Rússia respondendo por cerca de 40% do comércio global desse insumo, a suspensão tende a impactar diretamente o abastecimento internacional.

Segundo o governo russo, a medida busca assegurar que o mercado interno esteja plenamente atendido durante o período de plantio da primavera. Em nota oficial, o ministério destacou que a prioridade, neste momento, é garantir a oferta doméstica diante do aumento da demanda.

Além disso, Moscou informou que todas as licenças de exportação já concedidas foram canceladas, e novos pedidos ficarão suspensos até o dia 21 de abril. A exceção vale apenas para acordos específicos com governos, que não foram detalhados.

Para o Brasil, que depende significativamente da importação de fertilizantes, o cenário é de pressão nos custos de produção. A tendência é de aumento nos preços e possível dificuldade de acesso ao insumo, o que pode afetar o planejamento da próxima safra.

Especialistas avaliam que, caso a restrição se prolongue ou se intensifique, os efeitos podem ir além do campo, chegando ao preço final dos alimentos. O episódio reforça a vulnerabilidade do país diante da dependência externa de fertilizantes e reacende o debate sobre a necessidade de ampliar a produção nacional.

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