O Diário Oficial da Prefeitura de Parauapebas segue registrando uma verdadeira avalanche de exonerações e nomeações, em volume que já supera até mesmo o início da atual gestão. No entanto, mais do que a quantidade, o que chama atenção é o perfil político dos beneficiados.
Ex-chefes de gabinete de vereadores e assessores vêm sendo nomeados para cargos estratégicos, incluindo secretarias e funções de adjuntos, evidenciando uma forte influência da Câmara dentro da estrutura do governo municipal.
Nos bastidores, a divisão de espaços já é tratada como realidade. O vereador Laécio da ACT teria seu grupo acomodado na área de Produção Rural. Michel Carteiro aparece ligado ao Prosap, enquanto outros vereadores da base também ganham espaços. Outros parlamentares também estariam garantindo suas indicações, consolidando o que críticos classificam como um “loteamento” da máquina pública.
O movimento vai na contramão do discurso adotado por Aurélio Goiano antes de assumir o cargo. Durante a campanha, o então candidato afirmava que não permitiria que vereadores se tornassem “donos de secretarias” em Parauapebas — promessa que hoje é colocada em xeque.
Enquanto isso, a realidade da cidade preocupa. Parauapebas amarga uma sequência de problemas que vão desde acidentes frequentes, buracos espalhados pelas vias, até denúncias envolvendo a saúde pública, com relatos de mortes no hospital municipal e dificuldades no atendimento.
Para muitos moradores, o contraste é evidente: de um lado, o avanço das articulações políticas e a distribuição de cargos; do outro, uma cidade que enfrenta dificuldades diárias e acumula tragédias.
Aliados do governo defendem que as nomeações fazem parte de uma estratégia de governabilidade. Já críticos afirmam que o prefeito cedeu à velha prática do “toma lá, dá cá”, priorizando acordos políticos em detrimento das demandas mais urgentes da população.



