A disputa por duas vagas ao Senado pelo Pará já começa cercada por cifras milionárias. Dados registrados na prestação de contas eleitoral mostram que Éder Mauro (PL) e Celso Sabino (PDT) estão entre os candidatos que receberam grandes volumes de recursos partidários para a campanha de 2026.
No caso de Éder Mauro, o PL destinou R$ 4,3 milhões à sua campanha. O próprio candidato aparece, até o momento, com uma transferência de R$ 47 mil, enquanto o limite legal de gastos para o primeiro turno informado na prestação é de R$ 4.447.201,54.
A situação de Celso Sabino também chama atenção. O PDT destinou R$ 3 milhões à campanha do candidato, enquanto Sabino aparece com R$ 30 mil de recursos próprios registrados no demonstrativo apresentado.
Na prática, os números colocam as campanhas dos dois candidatos em outro patamar financeiro, com milhões de reais disponíveis para estrutura, publicidade, mobilização e demais despesas eleitorais.
O tamanho dos repasses ganha ainda mais peso porque Éder Mauro e Celso Sabino estão diretamente envolvidos na disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Pará, em uma eleição que reúne nomes de forte peso político. A Agência Senado lista ambos entre os candidatos ao cargo no estado.
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, terá R$ 4,96 bilhões disponíveis nacionalmente nas eleições de 2026. O PL recebeu uma das maiores fatias, cerca de R$ 881 milhões, enquanto o PDT recebeu aproximadamente R$ 169 milhões.
A concentração de recursos levanta uma questão inevitável: até que ponto campanhas milionárias conseguem ampliar a vantagem de candidatos que já possuem forte estrutura política e exposição eleitoral?
Os valores, por si só, não representam irregularidade. O financiamento por meio do Fundo Eleitoral é previsto na legislação e os candidatos precisam prestar contas à Justiça Eleitoral. O debate, porém, ganha força quando milhões de reais de dinheiro público destinado às campanhas passam a disputar espaço em uma eleição na qual cada voto pode definir quem ocupará uma das cadeiras mais importantes da República.



