Nos bastidores da política de Parauapebas, o comentário é um só: vereadores podem voltar a assumir secretarias no governo municipal. A possível movimentação, que já circula entre corredores da Câmara e gabinetes do Executivo, tem provocado críticas, ironias e muito deboche entre aliados e adversários.

A avaliação de muitos observadores da política local é dura. Depois de uma sequência de decisões consideradas equivocadas na administração, a eventual entrega de secretarias para parlamentares seria vista como mais um capítulo das turbulências do governo.
Entre analistas políticos e figuras do próprio meio político, a metáfora usada nos bastidores é pesada: dizem que o mandato já estaria “enterrado” politicamente, e que algumas decisões recentes apenas estariam “terminando de fechar o caixão”.
A crítica não para por aí. Segundo comentários que circulam nos corredores da política, o governo agora teria que “agasalhar” vereadores, inclusive alguns que foram eleitos no palanque da oposição, para tentar garantir sustentação política.
Enquanto isso, cresce o desconforto entre militantes e apoiadores que estiveram nas ruas durante a campanha. Há quem diga que quem balançou bandeira, caminhou no sol quente e defendeu o projeto político nas ruas pode acabar ficando de fora, abrindo espaço justamente para figuras que até pouco tempo estavam do outro lado do palanque.
Nos bastidores, o sentimento de parte da base é de frustração. Para críticos do governo, a movimentação soa menos como estratégia administrativa e mais como uma tentativa desesperada de reorganizar a base política dentro da Câmara.
Se a mudança realmente se confirmar, o governo pode até ganhar algum fôlego momentâneo no Legislativo. Mas, na avaliação de muitos que acompanham a política local, o preço político pode ser alto — especialmente entre aqueles que acreditavam que o discurso de campanha seria diferente da prática no poder.



