A Câmara dos Deputados voltou a ser palco de controvérsia após a apresentação de um projeto de lei que pretende instituir o Dia Nacional do Orgulho Heterossexual. A proposta foi protocolada pelo deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), que se declara publicamente “ex-gay” e figura conhecida por posições conservadoras no debate sobre diversidade sexual.
O texto do projeto estabelece que a data seria celebrada anualmente no terceiro domingo de dezembro. Na justificativa, Isidório argumenta que os heterossexuais estariam “perdendo espaço” no debate público e afirma que a criação da data serviria para “garantir visibilidade” à orientação sexual majoritária. Em discursos recentes, o parlamentar tem defendido que a iniciativa não busca “afrontar” outras comunidades, mas equilibrar o que considera um excesso de atenção às pautas LGBTQIA+.
A proposta provocou reação rápida entre entidades de direitos humanos, parlamentares e representantes da comunidade LGBTQIA+. Críticos afirmam que a medida desvirtua o sentido histórico das celebrações de orgulho — criadas justamente para dar visibilidade a grupos vítimas de violência e discriminação sistemática.
Para especialistas em políticas de diversidade, a proposta reforça um discurso que minimiza desigualdades estruturais. A criação de um “orgulho hétero”, argumentam, equivaleria a instituir uma data de celebração para um grupo que nunca precisou reivindicar direitos básicos ou espaço social.
Não é a primeira vez que Isidório tenta emplacar a iniciativa. Antes de chegar ao Congresso Nacional, ele já havia proposto a criação de uma data semelhante na Assembleia Legislativa da Bahia, onde exerceu mandato estadual. Agora, com o novo projeto federal, o deputado retoma a pauta em meio a um ambiente político nacional marcado por debates sobre liberdade religiosa, diversidade e políticas identitárias.
O projeto ainda deverá passar por comissões temáticas, onde pode receber parecer favorável ou contrário, além de eventuais alterações no texto. Só depois disso poderá seguir para votação no plenário da Câmara.



