O uso recorrente da imagem da prefeita Josemira Gadelha junto do marido em ações da Prefeitura de Canaã dos Carajás, especialmente após a nomeação de Eugênio Gadelha para a Secretaria Municipal de Obras, tem levantado questionamentos cada vez mais frequentes sobre possível campanha eleitoral antecipada e abuso de poder econômico em favor do pré-candidato.
Desde que Eugênio assumiu a pasta, observa-se uma mudança no padrão das agendas públicas do município. Eventos, entregas e inaugurações de serviços que não guardam qualquer relação direta com a Secretaria de Obras envolvendo áreas como assistência social, saúde, educação e outras políticas públicas passaram a servir de palco para a exposição política de Eugênio Gadelha. Em muitas dessas ocasiões, ele aparece em posição de destaque, mesmo quando a ação não possui vínculo administrativo ou técnico com sua secretaria.
Na prática, o que se vê é a utilização de eventos institucionais da Prefeitura como instrumentos de promoção pessoal e política, deslocando o foco da gestão pública para a construção de uma imagem eleitoral. A prefeita Josemira Gadelha, ao centralizar a presença do marido nessas agendas oficiais, acaba associando a estrutura administrativa do município a um projeto político específico, o que contraria os princípios da impessoalidade e da moralidade que regem a administração pública.
Paralelamente, Eugênio Gadelha tem intensificado articulações políticas fora de Canaã dos Carajás. Em municípios vizinhos, como Parauapebas, diversas lideranças políticas e vereadores da região têm sido procurados para compor e fortalecer sua pré-candidatura. Esse movimento regional reforça a percepção de que há uma estratégia eleitoral em curso, que extrapola o exercício técnico de uma função pública e se consolida como um projeto político estruturado.
As redes sociais institucionais da Prefeitura também chamam atenção. A presença constante de Eugênio nas publicações oficiais não se dá sob a ótica de um casal ou de uma relação pessoal com a prefeita, mas sim como parte de uma construção política. A exposição não é afetiva, é estratégica. Não se trata de imagem familiar, mas de um projeto eleitoral em formação, impulsionado por canais e recursos públicos.
Diante desse cenário, cresce o debate sobre os limites entre gestão e pré-campanha, e sobre até que ponto a máquina pública pode estar sendo utilizada para favorecer um nome específico antes do período permitido pela legislação eleitoral. A repetição dos fatos, a frequência das aparições e o contexto político regional indicam que não se trata de coincidência, mas de uma estratégia que merece atenção dos órgãos de fiscalização e da sociedade.



